18 outubro, 2006

Pedro Pignatelli - Exposição de Pintura


Entre o artista e a obra há uma onda gigante que surpreende. O mar aparece-lhe na sua turbulência estimulante e mágica, mas também na sua perturbação nocturna e misteriosa. Perscruta na sua aparente estabilidade e inicia um diálogo instável de sugestões e de abismos. O que move Pedro Pignatelli é a atracção pela tempestade, reflexo e metáfora da sua interioridade, mas também ponto de partida ou porto de chegada da inquietude permanente com a qual comunica com os outros. A sua pintura passa por essa estabilidade do caos que, fragmentada em instantes, nos conduz à poética secreta do seu olhar perturbador e irónico. Auto-retratos da interioridade de muitas almas que o habitam exibem-se denunciando o desassossego do seu quotidiano, mas também a bonança e a temperança que lhe traz cada viagem de espumas e destroços. Há os ventos e o espírito das pirâmides ocultas nesse velo de areias agitadas que o seduzem. O que está para além da tempestade, provavelmente esse paraíso anunciado ao artista, é, talvez, a paisagem do seu sossego. Sossego que Pignatelli não aceita porque lhe incomoda o discurso das constâncias e dos apegos. É o seu olhar nómada, que ele próprio busca no seu interior, que lhe revela o fragmento misterioso de uma desordem paralítica. E aí, sim, ele sorri.

Luís Filipe Sarmento. Outubro 2006

15 setembro, 2006

Meninos da Avó: Atlântico

No próximo dia 20, os Meninos da Avó estarão no 2 ao quadrado, juntamente com o músico Vitor Castro.
Vamos ouvir música e poesia com o tema Atlântico.
Apareçam!

07 setembro, 2006

Nelson Tamagnini


No dia 13 de Setembro vamos ter mais uma sessão extraordinária dos Meninos da Avó.

Desta vez teremos uma sessão musical protagonizada por Nelson Tamagnini, com o nome: «A Passagem de uma Alma Multiversal por Sintra com uma Dulcimer nas Mãos»

Nelson Tamagnini nasceu em Portugal no dia 30 de Novembro de 1942. Tem vivido uma vida de um viajante errante. Em 1971 fez um curso no colégio de Artes de Hammersmith, posteriormente estudou no Colégio de Arte de Chelsea onde, em 1974, terminou um graduação académica. Toca guitarra portuguesa e colabora com o grupo Theatre 84, fez algumas pequenas exibições no instituto de artes contemporâneas em 1974. Utiliza materiais pouco convencionais na sua arte visual (maioritariamente em 3 dimensões). É frequente deixar trabalhos seus nas suas viagens em portas e muros, o que demonstra o seu sentido de humor fatalista.

Dulcimer é um instrumento inspirado no folclore inglês, 37 cordas esticadas em três fontes, consegue três sonoridades diferentes. Improvisa, como no jazz, com essa sonoridade. Dulcimer é fora de moda, construída por Nelson, os 37 cravos com um furo no meio foram também feitos pelo próprio músico. É um rectângulo de madeira, a caixa tem 5 cm de espessura e em cima tem um V onde se afina as cordas.

12 agosto, 2006

Recital Poesia Ibérica

Dia 18 de Agosto teremos a 4ª Sessão Especial dos Meninos da Avó que consistirá num recital com três escritores ibéricos: Juan manuel Gonzalez, Antonio Rodriguez Jimenez e Luís Filipe Sarmento.
A apresentação dos dois escritores espanhóis estará a cargo de Luís Sarmento que também lerá textos seus.
A sessão está programada para as 22h.

20 julho, 2006

Meninos da Avó e Dólar Buq no 2 ao quadrdado


No dia 25 de Julho, 3ª feira, os Meninos da Avó e Manuela Sousa Lobo, estarão no 2 ao quadrado para apresentar a escrita de Dólar Buq, autor moçambicano - poeta, preto e perneta, o homem dos três pês.
A sessão será imprevisivelmente abrilhantada pelo jogral Rui Mário e pelo sonógrafo Pedro Hilário.

Aqui fica um excerto da última obra de Dólar Buq, Tamarindo, Livro de Tetramor

em meu único tornozelo
aceitei a maluata de cativo
seu tilintar
me encanta

recupero
assim
a voz
enterrada no anterior de um Ibo
maldito
que um canito preto y branco
fareja

estou cada vez mais mulato

deliro em transparências

me alforrio
em vós